• Bárbara Alves

Do punk do ABC às pinturas em tela: Robinho Santana

Atualizado: Jun 20


Nascido e criado em Diadema, o artista visual Robinho Santana realiza pinturas em telas, grafita e aborda o protagonismo negro em suas produções


Robinho Santana em seu ateliê, localizado no Bixiga

“Meu primeiro trampo de arte foi uma poesia que eu escrevi para o meu pai quando ele tava fazendo greve de fome em porta de fábrica”. Essa foi uma das primeiras coisas que eu descobri do Robinho durante a nossa conversa em seu ateliê. O papo aconteceu no início de outubro de 2019 após uma breve conversa por e-mail e algumas mensagens trocadas por WhatsApp. “Eu to passando por um stress, meio doidera, mas cola sim”. Apesar do meu atraso causado pela lentidão do transporte público paulista, Robinho me mostrou sua casa e conversamos por um bom tempo naquela manhã. O ambiente repleto de plantas, quadros e arte, fica localizado entre as estações República e Anhangabaú do Metrô. “Agora moro no Bixiga, que é o centro de São Paulo, meio que pra facilitar esse rolê de viver de arte”.


Nascido e criado no Jardim Ruyce, bairro localizado na periferia de Diadema, Robinho Santana possui tatuado em seu peito o nome da sua cidade natal. "Sou muito grato de ser de lá. Me ensinou a ter autogestão, de fazer por eu mesmo, criar com o pouco e isso é da hora”. Desde a adolescência, o artista foi influenciado pela cena cultural da cidade, que apresenta, de acordo com os dados do IBGE cerca de 400.000 habitantes. “A cena cultural em Diadema é muito forte, tem muitos artistas talentosíssimos, eu sou inspirado por muitos artistas de lá”


A cidade foi formada no século XVIII, a partir da chegada dos jesuítas de São Vicente para o interior do estado de São Paulo. Com o objetivo de catequizar os índios, os padres jesuítas formaram o primeiro agrupamento populacional no local, que hoje em dia corresponde ao centro da cidade. Três séculos após a invasão dos portugueses, Diadema se tornou um forte polo cultural periférico. Diversos coletivos independentes movimentam a cena da cidade como é o caso do Coletivo 217 e DiademaisArte, que promovem eventos relacionados à arte e cultura. Já o Studio 1100 e o D Studio auxiliam os músicos da região, disponibilizando um ambiente e equipamentos para os ensaios.


Na adolescência, Robinho era ligado ao universo musical e chegou a participar de algumas bandas. “Eu era do rolê de punk rock e via as pessoas da minha idade organizando o próprio evento. Chegava no dono do bar e falava: A gente quer fazer um rolê de música aqui”.


Nessa época, ele também era responsável por elaborar as capas de suas bandas. “Eu lembro que a gente tava pra fazer as capas dos discos e eu fazia o desenho, escrevia o nome, fazia o logo”. Esse primeiro contato com a confecção de álbuns punks, foi fundamental para que Robinho cursasse Design e Publicidade, já ele pensava que esse caminho era o mais relacionado com a produção artística.


“Eu estudei publicidade, mas eu entendi que eu queria fazer design. Me formei em design, mas foi um rolê totalmente racista” Uma das principais reclamações do artista durante o seu período na faculdade é a ausência de referências negras. De acordo com Robinho, durante todos os seus anos no ambiente acadêmico, ele teve contato com a obra de apenas um artista negro: Jean-Michel Basquiat.


Porém, durante esse mesmo período, Robinho conheceu a obra do músico Fela Kuti em uma visita ao Museu Afro Brasil. A exposição Fela Kuti - O Design Gráfico dos LP's ocorreu em 2013 e trouxe 41 capas dos discos lançados pelo músico nigeriano. Fela Kuti foi uma das principais figuras do Afrobeat, movimento musical que surgiu na Nigéria durante os anos 70. Além de músico, Fela também teve uma intensa atuação como ativista político em seu país.


As capas exibidas na exposição foram desenvolvidas pelo artista e designer nigeriano Lemi Ghariokwu. Elas transmitem de forma visual o conteúdo político presente nas músicas, complementando a mensagem das letras escritas por Fela Kuti.


Porém, o contato com a obra de Basquiat foi essencial para que Robinho se reconhecesse como artista. “Eu já desenhava, mas quando eu vi o Basquiat, eu tive certeza que era aquilo o que eu queria fazer e óbvio, não é assim. Não dá pra você largar tudo o que você tá fazendo e começar a viver de arte”


O artista trabalhou em agências de publicidade, antes de viver da renda de suas produções. Durante 10 anos, Robinho atuou como designer, porém o seu trabalho como artista começou a ganhar visibilidade. Mas ele ainda não tinha a confiança para largar a rotina publicitária e se jogar no universo das artes.


“O que aconteceu? Me mandaram embora, porque perceberam que eu tava em um ritmo lento. Em um momento eu fiquei triste, meio chocado, pensando: Caralho, acabei de me mudar pra cá, mas ao mesmo tempo eu falei: Porra, é a oportunidade que eu tenho pra fazer o meu rolê dar certo e é isso. E sei lá, deve fazer uns 5 anos e eu tô vivendo só de arte”.


Durante o processo de formação, diversos artistas de Diadema tiveram forte influência no desenvolvimento artístico e pessoal de Robinho. Entre eles, artistas como Nene Surreal, uma das grafiteiras mais antigas em atividade, Pixote, que utiliza técnicas baseadas na xilogravura para retratar temas ligados a imigração nordestina e Jerona Ruyce, multiartista que inspirou profundamente Robinho Santana a seguir o caminho da arte.


“Inclusive tenho várias obras dele aqui, conviveu comigo durante a minha vida inteira, ele é multiartista, cria seus próprios instrumentos, faz suas próprias roupas, é performancer, toca, pinta, faz tudo”.

Obras desenvolvidas por @j_e_r_o_n_a_r_u_y_c_e


Outro grupo que contribui no cenário cultural de Diadema é a ATQN. Robinho acompanhou a fundação do coletivo em 2015, que inicialmente estava ligado ao audiovisual e ao skate. “Porém como sempre fomos ligados a música e cultura de rua em geral, sentimos a necessita de criar, dar voz aos artistas que normalmente não apareciam e não tinham suporte” afirma um dos fundadores do coletivo, que preferiu se manter no anonimato “Coloca ATQN, porque são várias pessoas”.


ATQN é a abreviação de Antes Tarde do Que Nunca. A ação do coletivo se baseia em dois pontos: suporte audiovisual para os artistas de Diadema e a realização de eventos em diversos pontos da cidade “Os vídeos produzidos são inseridos em nosso canal, podendo ser usado como material de trabalho da galera que cola. Trazemos também a ideia de economia solidária, fomentando o pequeno comerciante, trazemos artistas, música, skate, entrega de livro, grafitti, playground, tranças afro”.


O coletivo fica localizado no Jardim Ruyce, em Diadema, mas sua atuação não se limita ao bairro. A ATQN realiza eventos em diversos locais, de forma totalmente independente, levando arte a cultura para diferentes espaço da cidade. Robinho considera essa ação fundamental para que pessoas residentes de locais afastados do centro de São Paulo possam ter contato com a arte. “A gente cria os nossos próprios movimentos culturais de resistência que são de nós para nós mesmos. É isso que a ATQN tem feito, tem criado esses eventos sem apoio, simplesmente por acreditar que tem que fazer”.


A conexão com a política é outro traço que o acompanha desde cedo. O artista é filho de Vicente Paulo da SIlva, mais conhecido como Vicentinho. Deputado federal desde 2003 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Vicentinho foi presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983 e participou de diversas reivindicações pelos direitos trabalhistas.


“Quando a gente era criança os nosso rolês eram em manifestação, eu acompanhei o meu pai fazendo greve de fome”. Um desses rolês aconteceu em 1995, na Marcha Zumbi dos Palmares. O evento ocorreu em alusão aos 300 anos da morte de Zumbi, importante liderança quilombola durante o período colonial. De acordo com a doutora em sociologia Flávia Mateus Rios, a Marcha foi motivada pela necessidade de dar visibilidade a temática do racismo na esfera do Estado. “Os militantes se aproveitaram desse contexto dos 300 anos e também percebendo que o Estado estava em novas mãos, com um presidente da República que tinha estudado a questão racial, que foi o caso do Fernando Henrique Cardoso”.


Foto: Fernando Cruz / Acervo CSBH/FPA

A socióloga também destaca a pluralidade dos participantes da marcha que uniu diferentes lideranças políticas e religiosas “Você tem por exemplo organizações partidárias, sindicatos, a CUT, organizações religiosas, organizações de candomblé, tem a atuação de quilombos”. Em sua dissertação de doutorado intitulada Institucionalização do Movimento Negro no Brasil Contemporâneo, Flávia analisa a organização e os protestos promovidos pelo Movimento Negro após o período de redemocratização da política brasileira. "Esses ativistas nacionalmente organizados foram a Brasília marchando em uma articulação muito interessante que não se restringiu ao movimento negro para reivindicar um espaço na esfera do estado para políticas públicas”.


A inserção no debate político e racial desde a infância foi fundamental para que o protagonismo negro fosse um dos principais objetos de estudo no trabalho do Robinho. “Isso me influenciou muito porque eu sou negro de pele clara, mas eu sei quem eu sou desde criança”


Sua mãe também teve uma forte contribuição nesse momento. Josefa Santana atuou como conselheira tutelar e trabalhou com crianças em situações de vulnerabilidade social. De acordo com dados extraídos do Cenário da Criança e do Adolescente 2019, cerca de 22,6% das crianças e adolescentes com idade entre 0 e 14 anos vivem em situação de extrema pobreza. O estudo foi feito pela Fundação Abrinq e também mostra que os estados que mais concentram esse percentual são o Norte (41,6%), Nordeste (36,3%) e Sudeste (29,9%).


Em São Paulo, Robinho realizou um grafiti baseado nessa temática. Ele foi feito

durante as últimas eleições presidenciais, que elegeram o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. “Foi um dia antes da eleição, que eu fiz duas crianças negras debaixo do viaduto. Eu pensei nesse conceito: mesmos que vocês estejam cegos votando nesse filha da puta desse Bolsonaro, olhem para quem está debaixo do viaduto. Tem um monte de crianças morando aqui, um monte de gente passando fome e você tá realmente votando em uma pessoa que apoia isso?"

Mesmo Cegos, Olhai por Nós, Grafiti, 2018

O grafiti foi fundamental no início da carreira de Robinho. As favelinhas, como o próprio artista menciona, foram uma das primeiras fases do seu trabalho. Elas abordam temáticas relacionadas à vivência nas periferias, já que o artista nasceu e cresceu nesse ambiente. “Começou com as favelinhas e foi para esse trampo digital que era de representatividade. Voltei para tela, que também é sobre questões raciais, mas não só simplesmente sobre representatividade. Eu quero falar sobre como é ser uma pessoas negra vivendo no século XXI, então hoje o meu trampo é muito mais conceitual do que só imagem”


Já na segunda fase, com as ilustrações digitais, Robinho também produziu uma arte relacionada às eleições de 2018, que apesar de terem sido marcados pelo avanço do conservadorismo político, elegeram importantes candidaturas. É o caso da deputada estadual, Erica Malunguinho, primeira mulher transexual da Assembleia Legislativa de São Paulo. Sua campanha apresentou uma forte identidade visual desenvolvida pelo Robinho. “A Erica chegou em mim, falou que curtia o meu trabalho e queria que eu fizesse um trampo para a campanha dela. Não tinha como dizer não porque já era o meu voto”

Erica Malunguinho, ilustração digital, 2018

Nesse período, Robinho produzia representações de pessoas negras baseadas na estética afrofuturista. A obra feita para a Erica foi amplamente divulgada nas redes sociais e contribuiu na vitória política da deputada. “Toda vez que ela fala eu me arrepio inteiro e me sinto muito orgulhoso de ter feito parte disso”.


Outra personalidade brasileira contemporânea representada por Robinho foi o pianista e compositor, Jonathan Ferr. O trabalho faz parte da série desenvolvida para a segunda edição do Sesc Jazz, que totalizou 26 obras de todos os artistas que integraram o festival. A obra uniu elementos usados na fase digital, que correspondem a estética afrofuturista, mas foi produzido em acrílica em tela, material usado na fase mais recente da produção do Robinho.

“Ele conseguiu captar aquilo que de mais precioso tinha em mim, que eu carrego em minha música que é a minha espiritualidade. Então a inclusão do terceiro olho, por exemplo, no meu desenho, a forma com que ele retratou aquilo foi extremamente espiritual e tocante”, afirma o pianista sobre o resultado final do retrato produzido pelo artista.


Nascido no Rio de Janeiro, Jonathan é um dos nomes promissores do jazz nacional. Seu album de estreia, Triologia do Amor, foi lançado em abril de 2019 e conta com 7 músicas desenvolvidas em um estilo criado por Jonathan, o Urbanjazz. A proposta do estilo é desfazer a ideia de que o jazz é um gênero musical feito apenas para as elites e aproximá-lo do público periférico.


No festival Sesc Jazz, Jonathan realizou shows em São Paulo, Piracicaba e Sorocaba. O evento ocorreu entre os dias 8 e 27 de outubro de 2019 e contou com a participação de 26 artistas de 12 diferentes países. Quando essa entrevista foi realizada, Robinho havia terminado a série de quadros e me mostrou o resultado final. Marcada por cores e traços fortes, os 26 quadros me remeteram a estética do movimento expressionista, ocorrido no início do século XX e que pregava a manifestação subjetiva do olhar do artista. Porém com uma pegada totalmente contemporânea devido ao toque afrofuturista dado por Robinho.


Outro trabalho que presenciei em seu ateliê durante aquela manhã, foi a tela de 170x115 feita para o disco do Thiago Elniño “Pedras, Flechas, Lanças, Espadas e Espelhos”.“Quando eu vi o resultado final eu fiquei impressionado, feliz para caramba. Era diferente do que eu esperava, diferente para bom. O Robinho conseguiu fazer uma síntese de diversos momentos do meu trabalho, em uma imagem só”, afirma Thiago sobre a arte feita para o seu segundo album.


O disco lançado em setembro de 2019, pouco antes do festival Sesc Jazz, contou com a participação musicais de Luedji Luna, Daiana Damião, Natache, Tássia Reis, Projeto Preto, além da contribuição do poeta Ricardo Aleixo e da arte do Robinho Santana para a capa.

“Eu e o Robinho nos conhecemos pelo Red Bull Station, frequentando aquele espaço. Dai só fortaleceu uma amizade, que se consolidou na produção da capa do meu disco.”


Esse trabalho faz parte de uma série composta por outras quatro telas de 170x115 cm sobre questões relacionadas a saúde mental de pessoas negras. Os temas abordados pelos outras obras são: o não lugar da mulher negra, a ausência e a presença da fé, ansiedade e problemas financeiros “A galinha d’angola tem essa ligação com a escravidão. Ela está segurando a fitinha do SPC Serasa, que também é um problema psicológico, porque quem fica bem sem dinheiro?”


“E o trabalho do Thiago Elniño, ele não fala necessariamente sobre um problema, mas fala sobre coisas que passam na sua cabeça, então são alguns instrumentos do candomblé, que estão na capa do disco: pedras, flechas, lanças, espadas e espelhos”


A religião também está presente em outro trabalho fundamental da carreira do Robinho. A obra “Dogma” é uma releitura da figura de Jesus Cristo, e além da pintura em tela a obra também é composta por um texto feito por Ezio Rosa, militante LGBT e fundador do Festival Bixa Nagô.


“No princípio eu ia enviar um texto que já tinha começado a rascunhar, mas o quadro era tão lindo, que decidi começar o texto do zero, que expressasse meus sentimos em tempo real, no passo que eu ia vendo o quadro nascer.”


O quadro carrega fortes simbologias relacionadas a religião, racismo e homofobia. O triângulo rosa presente na camisa é uma alusão ao símbolo usado nos campos de concentrações nazistas para a identificação de homessexuais. Já o número 445 é referente ao número LGBTs assassinados em São Paulo no ano de 2017. “No meu entendimento, mano, não existem pessoas que sofrem mais do que as que são negras e LGBTs desde a sua infância”, afirma Robinho.


“Dogma” foi produzida após um primeiro teste com a obra “Santo Preto”, porém como o público não conseguiu relacionar as simbologias planejadas Robinho, o artista decidiu fazer outro trabalho.

“Dogma”, acrílica sobre tela, 2018

Embora o seu trabalho tenha uma ligação direta com causas política, para Robinho nem toda arte precisa ser assim. “A gente tem o direito de fazer o que a gente quer, tá ligado? E por si só um artista preto que faz arte abstrata, já é um ato político, porque quando você fala de um artista periférico e preto ele ta recusando um lugar que colocaram ele.”

Santo Preto, Acrílica sobre tela, 42x32, 2018

Mesmo com todo o movimento cultural independente que ocorre na cidade, o incentivo institucional vindo das escolas e de outros órgãos públicos para a cultura ainda é fraco. “Eu sou do ABC, quando você é do ABC, nas escolas te ensinam a ser peão de fábrica, ou sei lá, ser qualquer outra coisa, menos artista.”


Por outro lado, grande parte do público que consome o trabalho do Robinho são jovens negros de periferias, que apesar de não terem a renda suficiente para comprar com frequência as obras do artista, acompanham a sua produção por meio das redes sociais.


“90% das pessoas são negras, isso é muito da hora e sei lá, 60% são jovens, muito mais jovens do que eu e elas não tem dinheiro, tá ligado? Nem todas, mas muitas não tem dinheiro”. A questão financeira é um dos grandes dilemas do seu trabalho, pois ao mesmo tempo em que ele necessita pagar suas contas e garantir a sua sobrevivência, ele também deseja que as suas obras sejam consumidas por esse público.


“Então é foda ser artista preto e periférico porque a gente tá sempre nesse embate político dentro da nossa cabeça. Eu quero que essa pessoa tenha esse trampo, mas eu sei que ela não consegue pagar agora e ai, se eu vender muito barato, eu não vou conseguir pagar a minha conta. São coisas que as pessoas ricas, artistas de outras classes da sociedade não estão pensando”.


O trabalho de Robinho é elaborado seguindo temas. Ao pensar em um assunto, ele se dedica durante um período a escrever e pesquisar sobre a temática e logo após começa a produzir. “Eu não faço a arte pela arte, porque eu acho o conceito importante. Todos os artistas que eu gosto, não necessariamente a arte deles é bonita pra cacete, realista, mas o conceito é foda”.


Uma das séries mais recentes produzidas por Robinho é “Ausência”, que tem como temática o autocuidado. “O desafio das artes visuais é esse: como você sai da teoria para algo visual. Como que eu vou falar sobre autocuidado, sem escrever nada”. Robinho levou cerca de dois meses para elaborar o conceito da série, mas a produção foi feita rapidamente.


“Para pintar eu sou muito rápido. Eu não consigo ver o bagulho não pronto, eu pego o rolê e mesmo que eu esteja morrendo de fome eu to aqui fazendo”.


Ausência, Acrílica sobre tela, 15x20, 2019


Outra série produzida por Robinho ficou exposta em um dos pontos centrais da capital paulista. Durante os dias 20 de agosto a 1 de setembro, três telas do artista ficaram expostas no IMS Paulista, localizado na Avenida Paulista. As obras fizeram parte da Intervenção Algo sobre Nós, em que o artista produzia seus trabalhos enquanto o público frequentava o local.


“Quando eu fazia isso colou uma escola pública que era de uma amiga minha e todos se reconheceram. E um garoto me perguntou: Mas o que significa MPB? Eu falei: Mano, significa Música Popular Brasileira. Você acha que o funk é música popular brasileira? Ele falou Sim”

Algo sobre nós, acrílica sobre tela, 2019


Cada tela demorou dois dias para ser pintada. Robinho também já participou de outras duas exposições. Uma não oficial no Mundo Pensante e outra na Ação Educativa chamada Reconhecimento.


O temática da exposição foi representatividade racial por meio das obras de arte, que também contou com um espelho para complementar o conceito proposto pelo artista “Tinham 30 e poucos trampos e ai no meio desses trampos tinha um espelho. O meu pensamento foi o seguinte: Mano, se você não se viu nesses 30 e poucas obras que estão falando sobre você, então se olha no espelho que você vai se ver de vez.


A obra de Robinho é um convite para questionamentos sobre o cenário artístico. O Brasil é o país com maior concentração de negros fora da África, mas mesmo assim a história das artes visuais reserva um papel secundário para o protagonismo negro.


A presença de artistas negros e periféricos é fundamental para reverter essa situação, pois da mesma forma que foi fundamental para Robinho conhecer a arte feita por Basquiat para entender que era possível se tornar artista, histórias como a dele são fundamentais para que mais artistas negros se vejam nesse espaço.


"Eu preciso me reconhecer na minha arte e acho importante que as pessoas que estão nessa descoberta, nessa reconhecimento, olhem para ela e também se reconheçam"



Conheça o trabalho do Robinho Santana.

Instagram: https://www.instagram.com/robinho_santana/

Tumblr: https://robinhosantana.tumblr.com/

Youtube: https://www.youtube.com/user/robsonssilva



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