• Bárbara Alves

A sensibilidade de Andy Reis

Atualizado: Jun 20

Chamada pelo Instagram para trabalhar em um clipe da Ludmilla, Andy realiza produções focadas em espiritualidade, autoestima, ancestralidade e estética.


Pisciana com lua em escorpião, Andy Reis tem 23 anos e mora em Parelheiros, bairro localizado no extremo sul da cidade de São Paulo.

Seus trabalhos são caracterizados pelo misticismo e pelo uso abundante do rosa e de cores pastéis. Neta de benzedeira, Andy enfatiza a necessidade do cuidado com a espiritualidade, principalmente entre os moradores das periferias brasileiras, já que na sua visão, a espiritualidade é sobre cura e equilíbrio.


Seu user nas redes sociais é @unicorniante e o nome foi escolhido devido a conexão da artista com o seu território de origem, Parelheiros. Recentemente, Andy foi chamada pelo Instagram para ser a artista visual responsável pelo novo clipe da cantora Ludmilla. Além dos seus trabalho com arte, Andy possui uma forte ligação com a estética e com a moda, pois é modelo, já atuou em clipes e pretende se dedicar cada vez mais ao teatro e a música.


Leia a seguir a entrevista concedida por Andy Reis ao Descolonizarte:


Como você definiria o seu estilo?

Vejo meu estilo como algo bem híbrido e múltiplo. Há fragmentos de cartoon e até mesmo pop surrealismo, mas evito me colocar em uma caixinha e me limitar. Costumo dizer que

minhas obras são como portais, que abro para uma dimensão criada por mim, um universo imagético da minha essência lírica onde reflito e cristalizo adversidades coletivas e individuais que me construíram um ser plural.

Quais são as suas principais influências?

Minhas principais influências vêm da poesia, gêneros musicais nos quais me identifico (blues, jazz, r&b, soul), produções teatrais e cinematográficas. Me instiga essa dança de sensações que flui para fora de mim após esse contato.

Quando você começou a desenhar?

Eu desenhava e criava narrativas com meus desenhos desde muito nova. Ser artista para mim era algo intrínseco, mas vi isso tomando forma quando eu tinha 15 anos e apenas senti que se concretizou aos 20.


Como você escolheu o user @unicorniante?

Vim de um bairro onde o significado do seu nome tem ligação com cavalos e esse símbolo sempre teve força para mim no meu autoconhecimento territorial que é algo que busco imprimir do que produzo com a reprodução da flora, da fauna e do ambiente com reservas ambientais. Em uma busca para achar uma palavra que definisse a minha personalidade ligada ao meu trabalho, fiz muitas pesquisas na mitologia e achava uma figura em comum em todas: o unicórnio. Decidi pegar tudo o que ele representa e ressignificá-lo de acordo com minhas vivências, assim surgiu "unicorniante", que me dá a sensação de movimento, fluidez e sensibilidade.



Na paleta de cores das suas ilustrações, o rosa é uma das cores que mais se destaca. Qual a importância dessa cor para você e como você definiu a tonalidade das cores do seu trabalho?

Me formei em design gráfico aos 20 anos e foi na universidade que tive esse primeiro contato com as cores. Notei o peso que elas carregam, as sensações que trazem à psiquê humana, as experiências enraizadas na nossa linguagem e no nosso pensamento. Todo mundo tem sua cor favorita e por algum motivo, seja consciente ou inconsciente, você passou a apreciar, seja porque o ursinho que você gostava de dormir era dessa cor, ou as

flores que você via no caminho quando ia visitar sua vó eram dessa cor. A verdade é que sempre essa cor vai te trazer uma sensação boa, cores tem energia e o rosa é essa cor para mim, me remete ao desafio de mostrar suas vulnerabilidades e isso casa bastante com os temas das minhas obras: a força que vem do que é delicado, o protagonismo negro e as cores pastéis, respectivamente.


A espiritualidade e a autoestima são temas frequentes nas suas ilustrações. De que forma você decidiu usar a arte para falar sobre esses temas?

Espiritualidade e autoestima são temas recorrentes nas minhas obras e minha vida. Sou neta de benzedeira, então nutrir sua espiritualidade era um conselho ancestral passado adiante. Notava afeto nisso, autocuidado e ai entrava a autoestima também, e eu represento essas questões de maneira simbólica. Minhas obras são fruto de muita pesquisa sobre misticismo e mitologias, em que um dos objetivos é fazer a pessoa racializada se enxergar enquanto protagonista dessa história, é sobre a prática do autoconhecimento, processos de cura da distorção da nossa imagem de forma negativa e sem voz.

Qual a importância de falar sobre espiritualidade?

Na minha ótica é muito importante falar de espiritualidade para tornar acessível para pessoas racializadas e periféricas. Livros sobre esse assunto e materiais são bem caros, eu não achava que espiritualidade era para mim, pelo o fato de não chegar com tanta força na favela, não tinha tanta facilidade para reconhecer as referências na minha família também. Espiritualidade é inato ao ser humano, não é sobre religião, mas sobre cura e equilíbrio.


Você também tem uma forte ligação com a moda, tanto que você também é modelo. Como você se aproximou desse universo e quais trabalhos seus você destacaria?

A moda também pode ser lida como uma expressão artística e ela também é resultado do ambiente a qual somos expostos, traduz personalidade e criatividade. Inicialmente, design de moda era uma opção para mim, costuro um pouco, e foi assim que me aproximei da moda, com a conquista da autoestima e o autoconhecimento enquanto mulher negra. Passei a modelar também, gosto da parte performática enquanto modelo. Um dos trabalhos que participei e me tocou bastante foi o clipe "Encaracolado" do cantor Tchelo Gomez, onde a premissa era o auto amor e o afeto para com alguém semelhante.



Recentemente, você foi chamada para trabalhar em uma parceria entre o Instagram e a cantora Ludmilla. Como isso aconteceu?

Eu recebi um convite para um job em parceria do Instagram com a Ludmilla, para apresentar uma nova ferramenta na plataforma, o "Cenas", e fui escolhida para ser a artista visual por trás do clipe dessa cantora negra que me identifico bastante, com uma canção que fala sobre afeto. Fiquei bastante feliz pela oportunidade, vi que estou dando passos para um caminho que sempre sonhei, e é incrível ver isso tomando força diante dos meus olhos, e o fato do meu trabalho e estética causar identificação, certamente foi uma experiência que me causou amadurecimento profissional.


Quais são os próximos passos da sua carreira como artista e como modelo?

Estou muito feliz com os passos que estou dando a cada dia, fazendo o que eu amo e me identifico, gosto bastante de estudar e aprender e pretendo tornar minha produção a cada dia mais consistente. Noto que no fim tudo vai se metamorfoseando de acordo com o que vou me tornando e absorvendo. Para meus próximos passos estou estudando teatro para acrescentar a minha carreira de modelo e artista, estou me dedicando mais também a escrever e estudar música e cantar, pretendo expandir enquanto artista.


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Instagram: instagram.com/unicorniante/

Facebook: facebook.com/unicorniante/

Twitter: twitter.com/unicorniante

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